Como será a escola do século XXI

Por Alice Sosnowski | ago 22, 2016

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A palavra Escola deriva do grego skolé, que significa “lazer”. Isso mesmo: na Antiga Grécia a escola era encarada como um espaço de lazer e diversão. Era voltada para poucos privilegiados que não precisavam trabalhar e podiam se entregar ao ócio criativo.

Com o surgimento da sociedade industrial e a criação dos centros urbanos, viu-se a necessidade de formar indivíduos capacitados para manter a engrenagem do sistema e a escola passou a ser o local de formação técnica para que as pessoas pudessem cumprir funções específicas. Estava criado um novo modelo educacional, orientado a profissões.

No modelo de escola do século XIX, com divisões por idades e níveis de aprendizado, o professor era a principal fonte de conhecimento e o aluno um mero receptor de conteúdo, que tinha no diploma o reconhecimento público da sociedade: scolae scalae (“a escola é uma escada”) .

Mas com a evolução da sociedade e revolução tecnológica mudanças estruturais ocorreram na forma de viver, se relacionar, trabalhar e atuar no mundo. E a escola, que tinha o papel de preparar o indivíduo para a sociedade, passou a ser uma instituição anacrônica, que não atende nem os alunos, nem a sociedade, nem os educadores. Os críticos comumente resumem a atual situação numa frase: “temos uma escola do século XIX, um professor do século XX e um aluno do século XXI”

É claro que no meio disso tudo, muitas iniciativas louváveis foram criadas para tentar aproximar a escola do mundo real, mas, infelizmente, apenas confirmam a regra de uma estrutura que já não serve mais para formar indivíduos aptos a lidar com os desafios contemporâneos.

Neste contexto, educadores, pais, mães, profissionais, gestores e empreendedores se preocupam com a formação dos nossos jovens, que precisam mais do que nunca desenvolver habilidades imprescindíveis para lidar com o mundo. A escola precisa ser reinventada para o século XXI!

Com este objetivo, um grupo de profissionais de diferentes especialidades se juntou para criar um novo modelo de escola. Para isso, começaram da melhor forma: ouvindo jovens num fórum aberto e horizontal:o Hackathon de Educação da Casa do Presente que aconteceu neste dia 20 de agosto, em São Paulo.

O evento durou 10 horas e foi cuidadosamente planejado para abrir mentes e corações. Com atividades corporais e de autoconhecimento, os jovens puderam se abrir e fazer propostas inovadoras para este novo modelo de escola.  Foram momentos inspiradores em que saíram ideias para uma escola que tivesse empatia, representatividade, diversidade e fosse um produto da nossa sociedade. A escola idealizada pelos jovens estudantes deve preparar os jovens para a vida, e não para o vestibular. Deve ser uma instituição horizontal em que alunos e professores aprendam juntos e possam ampliar a consciência do indivíduo e de seu lugar no mundo.

Muitas outras ideias foram colocadas na mesa e serão reunidas para que deste encontro saia um novo modelo em formato beta. O que dá para adiantar é que esta nova escola do século XXI dará lugar ao prazer, à troca e ao aprendizado experencial, algo muito mais parecido com o conceito da Grécia Antiga. Aí finalmente estaremos retomando às origens de sua criação, quando as escolas eram espaços de diversão e criatividade.